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Coaching - Entrevista a João Pedro Tavares criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Paulo Mouta   
17-Jul-2010

O Coaching é uma ferramenta muito recente ao serviço das pessoas nas organizações. Não existe ainda uma perspectiva muito concreta no nosso país sobre a validade e pertinência da utilização de técnicas utilizadas no coaching quando aplicadas às equipas e mais concretamente a níveis operacionais. Questionámos o Dr. João Pedro Tavares, Professor Universitário e CEO da Skills RH, no sentido de termos uma opinião de campo e não meramente académica sobre este tema. Publicamos aqui a entrevista:

 

(Entrevista por escrito elaborada por Marlene Ribeiro)

MR - O que define particularmente o 'coaching'?

JPT - O auto desenvolvimento acima do desenvolvimento provocado por outros; o auto conhecimento; a eliminação de barreiras e obstáculos pelo próprio; a rapidez de resultados; a orientação para o presente;

MR - Sendo que hoje as pessoas são o factor diferenciador das organizações, em que medida pode o coaching ser o factor diferenciador nas ferramentas de gestão do conhecimento?

JPT - Pelo simples facto de desenvolver o auto conhecimento e a constatação de que somos capazes de fazer o que queremos verdadeiramente, torna-se ou pode tornar-se factor de desenvolvimento do conhecimento e das competências organizacionais. Atenção que também pode tornar-se factor de ruptura do elemento com a organização… já me aconteceu.

 MR - De que forma ou formas se pode operacionalizar o Coaching aplicado à Gestão de Pessoas nas Organizações?

JPT - Há um factor primordial no coaching: a vontade própria! Ou seja, a empresa não pode decretar que alguém vai ser submetido a coaching se o alguém não quiser ele próprio tirar partido disso mesmo. Já tivemos situações em que coaching pagos pela organização não aconteceram porque percepcionamos à primeira ou segunda sessão que o elemento não queria, estava contra a sua vontade. Isto não pode acontecer em coaching. A melhor forma de o operacionalizar é a empresa e o colaborador em mútuo entendimento perceberem que há uma ou várias lacunas do próprio a serem suprimidas e que a melhor ferramenta para tal será o coaching. Sendo que poderemos trabalhar em áreas ou vertentes que podem não ser directamente aquilo que a empresa pretende mas que pela sua importância e impacto no indivíduo o farão chegar ao pretendido pela empresa.

 

MR - Quais as características inerentes a um bom Coach? 

JPT - Pergunta difícil… acho que as mais importantes são a capacidade de estabelecer rapport com o coachee, o auto controlo, e o auto conhecimento. A par destas um sentido ético extremo!  

MR - Quais os principais entraves que podem surgir a um Coach? A existirem como os transpor?

JPT - Não há muitos que nã estejam previsto nos códigos de conduta internacionais. De entre eles: percepção de conflito de interesses (ou seja de alguma forma o coach encontrar-se envolvido no próprio vector que se pretende trabalhar); falta ou quebra de confiança entre o coach e o coachee; os objectivos do coachee serem ilegais, ou incomportáveis do ponto de vista ético ou moral. A transposição para um coach de corpo inteiro e obcecado pela ética é simples… acaba o coaching logo aí!

 

MR - Para que o processo de coaching seja um sucesso quais os aspectos mais relevantes a ter em conta?

JPT - A vontade do coachee!

 

MR - Apesar de ser um processo que incide sobretudo no indivíduo, pode ser aplicado a grupos com sucesso? Qual o papel de uma boa liderança neste processo?

JPT – Da liderança propriamente dita, pouco ou nenhum. Eu diria que uma liderança eficaz, dificilmente precisará de um coach para a sua equipa. Se a liderança é má, então o coaching pode ajudar a a equipa mas acima de tudo deve centrar-se no líder, caso contrário o que pode acontecer é que de repente o líder fica sem liderados… ainda agora estamos a desenvolver um processo para melhorar o trabalho em equipa numa multinacional espanhola da área industrial. Acontece que no levantamento efectuado percebemos que um dos factores que contribuía decisivamente para o mau trabalho em equipa era a liderança. Então o que vai acontecer é um team coaching à equipa e um business coaching ao líder da equipa e que irão andar em simultâneo de forma a que o desenvolvimento da equipa seja acompanhado pelo desenvolvimento do líder. Se isto não acontecer os resultados podem ser catastróficos.

 

MR - Quais as mais valias da utilização do Coaching face a outras técnicas (mentoring, counseling, formação convencional)?

JPT - Na minha sincera opinião nem sempre o coaching é a ferramenta mais eficaz. Muitas vezes o mentoring tem resultados mais rápidos e o counseling é capaz de desenvolver algumas soluções mais eficazes. A maior vantagem do coaching é pelas suas características o auto desenvolvimento. A pessoas desenvolve o que pretende ao ritmo que entende e sempre com as suas próprias soluções. Como é costume dizer-se ‘o coachee tem todas as respostas de que precisa, o coach tem todas as perguntas que o fazem encontrá-las’.   

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 
Actualizado em ( 17-Jul-2010 )
 
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